2026 pode ser o ano do colapso irreversível dos recifes de coral, alertam cientistas

Relatório indica que o limite de aquecimento crítico para os recifes de coral já foi ultrapassado
Relatório indica que o limite de aquecimento crítico para os recifes de coral já foi ultrapassado Foto: Freepik

Cientistas alertam para um “ponto de não retorno” ecológico após ondas de calor recordes. A morte em massa dos ecossistemas que abrigam recifes de coral ameaça a biodiversidade marinha e a economia de comunidades costeiras que dependem da pesca e do turismo.

  • Relatório Global Tipping Points 2025 indica que o limite de aquecimento de 1,2°C, crítico para os corais, já foi ultrapassado.

  • Entre 2023 e 2025, o branqueamento atingiu cerca de 84% das áreas de recifes globais em 83 países.

  • Especialistas temem que um novo fenômeno El Niño em 2026 impossibilite a recuperação das espécies remanescentes.

  • No Brasil, a mortalidade de corais em regiões como Maragogi (AL) chegou a superar os 80% em monitoramentos recentes.

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O colapso do primeiro sistema da Terra

A comunidade científica internacional emitiu um alerta contundente: os recifes de coral de águas quentes podem tornar-se o primeiro grande ecossistema planetário a entrar em declínio irreversível. De acordo com o relatório Global Tipping Points, elaborado por 160 investigadores de 23 países, o mundo já ultrapassou o limiar térmico de 1,2°C acima dos níveis pré-industriais — o ponto crítico para a sobrevivência destas estruturas.

O fenómeno de branqueamento, causado pelo stresse térmico que expulsa as algas simbióticas dos corais, deixou de ser um evento episódico para se tornar crónico. “Não podemos mais falar de pontos de rutura como um risco futuro; regionalmente, a transformação já está em curso”, afirma o professor Tim Lenton, da University of Exeter. A projeção para 2026 é sombria: com a previsão de um novo ciclo de aquecimento global, os recifes que ainda resistem podem não ter tempo suficiente para a regeneração.

Impacto socioeconómico e biodiversidade

Embora cubram menos de 1% do fundo do mar, os recifes de coral sustentam 25% de toda a vida marinha e são fundamentais para a segurança alimentar de cerca de um milhar de milhão de pessoas. A morte destes ecossistemas traduz-se em perdas diretas na pesca artesanal e no turismo, além de deixar zonas costeiras vulneráveis à erosão e a tempestades, uma vez que os recifes dissipam até 97% da energia das ondas.

No Brasil, a situação é igualmente alarmante. Estudos conduzidos pela Unifesp e parceiros mostram que o quarto evento global de branqueamento devastou a costa do Nordeste, com taxas de perda que variam entre 50% e 88% em áreas prioritárias de conservação.

“A menos que retornemos às temperaturas globais de 1,2°C o mais rápido possível, não reteremos recifes de águas quentes em nenhuma escala significativa no planeta.”

Estratégias de mitigação

Apesar do cenário crítico, cientistas da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e outras instituições reforçam que a ação imediata pode preservar “refúgios” climáticos. As medidas incluem o corte agressivo de emissões de carbono, a redução da poluição local e o investimento em biotecnologia, como a criação seletiva de corais resistentes ao calor para projetos de restauração.