Acordo de Paris 10 anos: os desafios climáticos globais em 2026

A transferência de recursos dos países desenvolvidos para as nações em desenvolvimento continua sendo o principal ponto de fricção nas cúpulas multilaterais

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Em fevereiro de 2026, o marco de dez anos da assinatura do Acordo de Paris coloca a comunidade internacional diante de um balanço rigoroso. Embora o tratado de 2015 tenha estabelecido o compromisso histórico de limitar o aquecimento global a 1,5°C, os dados climáticos atuais e a instabilidade geopolítica indicam que o planeta se encontra em uma encruzilhada decisiva. O ano de 2026 é visto por especialistas como o “prazo final” para que as principais economias do G20 alinhem suas políticas internas às metas de emissão zero.

Resumo:

  • Balanço da década: dez anos após Paris, apenas uma parcela reduzida dos países signatários cumpre integralmente as Metas Nacionalmente Determinadas (NDCs).

  • Alerta científico: relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que a janela de oportunidade para evitar danos irreversíveis está se fechando.

  • Financiamento climático: a transferência de recursos dos países desenvolvidos para as nações em desenvolvimento continua sendo o principal ponto de fricção nas cúpulas multilaterais.

  • Protagonismo brasileiro: com a proximidade da COP30, o Brasil se posiciona como mediador estratégico entre o Sul Global e as potências industriais.


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O cenário desenhado em 2026 expõe a defasagem entre o discurso diplomático e a realidade prática. O Acordo de Paris sobreviveu a crises econômicas e mudanças de governo em grandes poluidores, como Estados Unidos e China, mas a eficácia do mecanismo de “revisão e ambição” (o ratchet mechanism) é colocada à prova pela primeira vez de forma sistêmica.

A barreira do financiamento e a desigualdade global

O centro do debate atual não é mais a negação da crise, mas quem financiará a transição energética. O compromisso de US$ 100 bilhões anuais, prometido há anos pelas nações ricas, ainda enfrenta entraves burocráticos e políticos. Para países em desenvolvimento, a descarbonização sem suporte financeiro representa um risco à segurança alimentar e ao crescimento econômico, criando um impasse que trava as negociações globais.

De acordo com analistas ouvidos pela IstoÉ, a crise climática tornou-se indissociável da economia. O surgimento de barreiras comerciais “verdes”, como o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da União Europeia, força uma reestruturação das cadeias de suprimentos globais, punindo nações que não investem em tecnologias de baixa emissão.

“O Acordo de Paris não é apenas um documento ambiental, é o novo código de conduta da economia global. Quem ignorar as metas de 2026 ficará isolado no comércio internacional.”

Observatório do Clima

2026: O ano da ambição máxima

O ano atual exige que os países apresentem novas NDCs mais agressivas. O objetivo é reduzir as emissões globais em 45% até 2030, uma meta que parece distante sem uma interrupção drástica na expansão do uso de combustíveis fósseis. A transição para fontes renováveis, embora acelerada, ainda compete com subsídios estatais ao petróleo e carvão em diversas regiões.

Para o Brasil, este aniversário de dez anos serve como preparativo para a presidência da COP30. O país busca consolidar a liderança ambiental através da queda nos índices de desmatamento da Amazônia, apresentando-se como o exemplo de que é possível aliar preservação florestal e desenvolvimento agrícola. O sucesso de Paris, no entanto, dependerá de uma cooperação internacional que supere as barreiras do protecionismo e da desconfiança mútua.