Alertas de desmatamento caem na Amazônia e no Cerrado em 2026; veja dados

Dados do sistema Deter, do Inpe, indicam redução de 35% do desmatamento na floresta amazônica e 6% no bioma do Brasil Central; especialistas alertam para a necessidade de vigilância contínua

Fronteira entre a Amazônia e o Cerrado em Nova Xavantina (MT) 28/07/2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Fronteira entre a Amazônia e o Cerrado em Nova Xavantina Foto: Reuters

O combate ao desmatamento ilegal nos principais biomas brasileiros apresentou resultados positivos no primeiro bimestre de 2026. Segundo dados consolidados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os alertas de degradação florestal na Amazônia recuaram 35% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No Cerrado, o recuo foi de 6%, sinalizando uma possível estabilização após anos de índices críticos na região produtora do país.

Resumo:

  • Redução expressiva: a Amazônia Legal mantém tendência de queda, consolidando o fortalecimento das políticas de comando e controle.

  • Desafio no Cerrado: apesar da queda de 6%, o bioma ainda sofre pressão da expansão agropecuária, exigindo estratégias específicas para a região.

  • Tecnologia e vigilância: o sistema Deter atua como ferramenta crucial para o planejamento de operações de fiscalização do Ibama e do ICMBio.

  • Meta global: os índices aproximam o Brasil dos compromissos firmados na COP30, visando o desmatamento zero até 2030.


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A queda nos indicadores é vista por analistas ambientais como um reflexo da reestruturação dos órgãos de fiscalização e do aumento do rigor nas autuações e embargos de propriedades irregulares. Na Amazônia, o foco das operações concentrou-se nos estados do Pará e Mato Grosso, historicamente os mais atingidos pelo arco do desmatamento. A redução de 35% é considerada um marco para o início do ano, período em que a cobertura de nuvens costuma dificultar o monitoramento por satélite.

O Cerrado e o limite da fronteira agrícola

Se na Amazônia a queda é robusta, no Cerrado o índice de 6% é recebido com cautela. O bioma, que abriga o principal cinturão agrícola do país — a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) —, enfrenta uma dinâmica de supressão de vegetação muitas vezes autorizada pelos governos estaduais. A complexidade do Cerrado reside no equilíbrio entre a produção de commodities e a preservação do “berço das águas”, essencial para a segurança hídrica e elétrica do Brasil.

O uso de dados do Inpe permite identificar não apenas a derrubada rasa da mata, mas também a degradação progressiva, muitas vezes causada por queimadas ou extração seletiva de madeira. “A consistência na redução dos alertas prova que a presença do Estado em campo é o método mais eficaz de dissuasão”, afirmam especialistas em gestão pública ambiental.

“Os números são promissores, mas não permitem complacência. A fiscalização deve ser acompanhada de incentivos econômicos para a floresta em pé.”

Representantes do Ministério do Meio Ambiente

Impacto nas relações internacionais

Para a diplomacia brasileira, a queda nos alertas de desmatamento é uma moeda valiosa em negociações com a União Europeia e outros blocos econômicos. Com a implementação de novas diretrizes globais que restringem a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas, a transparência dos dados do Deter torna-se um certificado de garantia para o agronegócio sustentável brasileiro.

Além do controle direto, o governo federal aposta no Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e sua versão para o Cerrado (PPCerrado). Estes programas visam integrar ações de inteligência financeira, rastreando a cadeia do gado e da madeira, para asfixiar economicamente os desmatadores ilegais.

Perspectivas para 2026

O desafio para o restante do ano reside no período de seca, que geralmente tem início em maio. É nesta fase que os focos de calor aumentam e o desmatamento tende a acelerar. O fortalecimento de brigadas contra incêndios e a consolidação do Fundo Amazônia são vistos como pilares para manter a curva descendente até o fechamento do balanço anual pelo sistema Prodes, que oferece o dado definitivo de desmatamento por corte raso.

A manutenção desses índices positivos é fundamental para que o Brasil recupere sua posição de liderança ambiental global, transformando a preservação em ativo econômico e protegendo a biodiversidade única de seus biomas.

Com informações da Agência Brasil