O município de Buriticupu, no Maranhão, vive um cenário de emergência geológica que desafia as autoridades e aterroriza a população. A cidade é cercada por voçorocas — fenômenos erosivos de grandes proporções que, na prática, são crateras que avançam de forma agressiva sobre o perímetro urbano. O problema, que se arrasta por décadas, atingiu um ponto crítico com a proximidade de áreas residenciais, colocando centenas de moradias em risco iminente de colapso.
Resumo
A cidade de Buriticupu, no Maranhão, enfrenta o avanço das voçorocas, crateras gigantescas causadas pela erosão severa do solo.
Especialistas apontam que o fenômeno é agravado pela combinação de solo arenoso, desmatamento e ausência de sistemas de drenagem pluvial.
Mais de 20 crateras de grandes proporções cercam a zona urbana, com algumas atingindo até 70 metros de profundidade.
O governo local e a Defesa Civil monitoram o risco de desabamento de casas e a necessidade de reassentamento de centenas de famílias.
Saiba o que são voçorocas
O termo voçoroca vem do tupi e significa “terra rasgada”. Tecnicamente, trata-se de um estágio avançado de erosão hídrica. O processo começa com pequenas fendas no solo, chamadas ravinas, que se aprofundam à medida que as águas das chuvas retiram a cobertura vegetal e escavam o terreno. No caso de Buriticupu, o solo é predominantemente arenoso, o que facilita a desagregação das partículas pela força das águas.
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Diferente de buracos comuns, as voçorocas podem atingir centenas de metros de extensão e dezenas de metros de profundidade. Quando o fenômeno alcança o lençol freático, a erosão é potencializada de baixo para cima, tornando o terreno extremamente instável e de difícil recuperação.
O fator humano e urbano
Embora o processo tenha origens geológicas, o avanço das voçorocas em Buriticupu é um exemplo contundente de como a intervenção humana pode acelerar desastres naturais. Especialistas explicam que o crescimento urbano sem planejamento, a remoção da mata nativa e, principalmente, a falta de galerias de drenagem pluvial são os principais catalisadores da crise.
Sem um sistema adequado para canalizar as águas das chuvas, o fluxo é despejado diretamente nas encostas das crateras, provocando o desmoronamento das bordas. “A água procura o caminho de menor resistência e, em solos sem cobertura vegetal e sem drenagem, esse caminho é a escavação profunda”, analisam engenheiros ambientais que monitoram a região.
“Buriticupu é hoje um laboratório a céu aberto sobre o que acontece quando o urbanismo ignora a geologia local; o solo está literalmente sendo lavado pela chuva.”
Especialistas em Geotecnia e Riscos Urbanos
Medidas e contenção
A prefeitura e o governo do Maranhão têm buscado recursos junto à União para obras de macro-drenagem e contenção de encostas, mas a complexidade do terreno torna as intervenções caras e demoradas. Paralelamente, a Defesa Civil atua no mapeamento das “zonas de sacrifício”, áreas onde a recuperação não é mais possível e a única solução é o reassentamento definitivo das famílias.
O drama dos moradores de Buriticupu serve como um alerta para outras cidades brasileiras situadas em terrenos vulneráveis. A prevenção, através de um zoneamento rigoroso e investimentos em saneamento básico, continua sendo a única forma de evitar que a terra, literalmente, desapareça sob os pés dos cidadãos.
Com informações da Agência Brasil