O espetáculo do Carnaval do Rio de Janeiro gera, anualmente, um volume colossal de resíduos na dispersão da Marquês de Sapucaí. No entanto, o que antes era visto como lixo pós-desfile agora alimenta um ciclo de economia circular. Um projeto de sustentabilidade está mobilizando artesãos e foliões ao coletar fantasias e adereços abandonados para dar a eles uma nova vida em blocos de rua e agremiações menores.
A iniciativa, detalhada pela Agência Brasil, atua logo após a passagem das escolas, resgatando penas sintéticas, tecidos nobres, pedrarias e estruturas de arame que custariam milhares de reais se comprados novos. Esse material é triado, higienizado e redistribuído, permitindo que o brilho da elite do samba chegue a comunidades com recursos limitados.
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Impacto ambiental e social
A gestão de resíduos em grandes eventos é um dos maiores gargalos ambientais do país. Ao desviar toneladas de materiais dos aterros sanitários, o projeto ataca duas frentes:
Redução de Danos: Evita o acúmulo de adereços de difícil decomposição no meio ambiente.
Inclusão Cultural: Democratiza o acesso a fantasias de alta qualidade para quem não teria condições de desfilar nas grandes escolas.
“O Carnaval não termina na quarta-feira de cinzas; ele se transforma. Ver um adereço que custou uma fortuna ser reaproveitado por um bloco de bairro é a prova de que a festa pode ser ética e sustentável”, afirmam os organizadores da ação.
Economia criativa em pauta
Além da doação direta, o reaproveitamento gera ocupação para costureiras, ferreiros e aderecistas durante o ano inteiro. A reforma das peças exige mão de obra qualificada, mantendo a engrenagem do Carnaval girando para além dos dias de folia. O projeto já é visto por especialistas como um modelo de logística reversa que deveria ser replicado em outros grandes festivais brasileiros.
Com informações da Agência Brasil