Aquecimento das águas ameaça espécies únicas de corais na costa brasileira

A perda dessas espécies pode levar ao colapso de toda a cadeia alimentar marinha, prejudicando a pesca e o turismo

Corais
Foto: Freepik

Enquanto o mundo volta os olhos para a proteção de baleias e tartarugas, uma peça fundamental da biodiversidade brasileira corre o risco de desaparecer sem deixar vestígios. Cientistas brasileiros, em estudo apoiado pela Fapesp, denunciam que os corais-de-fogo (gênero Millepora) estão enfrentando uma extinção silenciosa. Essas espécies, exclusivas da costa do Brasil, são essenciais para a construção dos recifes, mas estão sucumbindo ao aumento implacável da temperatura dos oceanos.

O termo “extinção silenciosa” refere-se ao declínio de espécies que, embora cruciais para o ecossistema, não recebem a mesma atenção midiática ou recursos de preservação que animais de grande porte. No caso dos corais-de-fogo, eles funcionam como o “esqueleto” de muitos recifes, servindo de abrigo e berçário para centenas de outras espécies marinhas.

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O inimigo invisível: o branqueamento

A principal ameaça é o estresse térmico. Quando a água aquece demais, os corais expulsam as algas microscópicas (zooxantelas) que vivem em seus tecidos e lhes fornecem alimento. Sem elas, o coral torna-se branco e, se o calor persistir, morre de fome.

“O que estamos vendo em 2026 é uma aceleração desse processo. Espécies endêmicas, que só existem aqui, estão atingindo seu limite de tolerância”, alertam os pesquisadores. A perda desses corais não afeta apenas a natureza; ela impacta diretamente a economia das comunidades litorâneas que dependem da pesca e do mergulho turístico.

Urgência em monitorar

O estudo enfatiza que a falta de dados históricos dificulta a medição exata de quanto já foi perdido. Sem investimento em ciência e monitoramento contínuo, o Brasil pode perder seus “jardins submarinos” antes mesmo de catalogar toda a sua riqueza biológica. A preservação dos corais-de-fogo é, portanto, uma corrida contra o relógio climático para garantir que a fundação da vida no Atlântico Sul não desmorone.

Com informações da Agência Fapesp