Conheça o potencial da energia solar flutuante para abastecer indústrias pesadas

Tecnologia vertical aumenta eficiência, utiliza lagos industriais e deve dominar a matriz renovável até 2030, segundo a IEA

Painéis de energia solar flutuantes
Foto: Reprodução/Facebook/SINN Power

A transição energética global exige não apenas a substituição de fontes fósseis, mas a otimização de como e onde captamos energia. Nesse cenário, os sistemas de energia solar flutuante deixaram de ser uma curiosidade técnica para se tornarem uma solução estratégica para indústrias de alto consumo, como as usinas de britagem. Localizadas frequentemente em áreas de mineração que possuem lagos em suas pedreiras, essas empresas encontraram na água o espaço ideal para instalar parques solares que não ocupam o solo produtivo.

A grande inovação reside na verticalidade e na bifacialidade dos módulos. Enquanto os sistemas tradicionais atingem seu pico de produção ao meio-dia — muitas vezes gerando um excedente que as redes locais não conseguem absorver —, os painéis verticais distribuem a geração ao longo de todo o dia. Ao captar os primeiros raios da manhã e a luz crepuscular na face traseira, o sistema oferece uma curva de fornecimento mais estável e alinhada à demanda industrial.

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  • Eficiência bifacial: os painéis verticais captam a luz solar em ambas as faces, aproveitando o reflexo na água e garantindo geração constante, sem o pico excedente e desperdiçado do meio-dia.

  • Resfriamento natural: a proximidade com a água atua como um sistema de arrefecimento para os módulos, o que aumenta a condutividade e a vida útil dos equipamentos.

  • Preservação de terras: a tecnologia flutuante elimina a competição por áreas agricultáveis, um dos principais entraves para a expansão da energia solar em países densamente povoados.

  • Crescimento exponencial: a capacidade instalada saltou de 10 megawatts para 7.700 megawatts em poucos anos, com previsões de que a energia solar domine 78% da expansão renovável até 2030.

O fator eficiência e o resfriamento hídrico

A física por trás dessa tecnologia é assertiva: a água funciona como um dissipador de calor natural. Painéis solares operam com menor eficiência quando superaquecem sob o sol direto. No ambiente flutuante, a evaporação e a temperatura da água resfriam os módulos, permitindo que operem em condições ideais por mais tempo.

Além disso, a cobertura da água pelos painéis reduz a evaporação do reservatório e inibe o crescimento de algas, criando um ciclo de benefícios mútuos para o ecossistema local.

Perspectivas globais para 2030

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a meta é ambiciosa: a capacidade global de energia renovável deve dobrar, atingindo 4.600 gigawatts até 2030. Nesse gráfico de crescimento, a energia solar é a protagonista absoluta, representando 78% do total, seguida pela eólica (19%) e hidrelétrica (3%).

A China consolidou sua liderança absoluta neste setor, instalando estações de grande porte em reservatórios e até em alto-mar, desafiando a corrosão marinha com novos materiais. Já na Alemanha e em outras potências europeias, a tecnologia ainda é considerada escassa, enfrentando barreiras regulatórias que, no entanto, começam a ceder diante da necessidade urgente de independência energética. Para o Brasil, com sua vasta rede de hidrelétricas e reservatórios, o potencial é imensurável, unindo a geração hídrica já existente à solar flutuante para criar usinas híbridas de alta performance.