A retomada da usina de Kashiwazaki-Kariwa representa o maior teste de confiança para a Tepco desde o colapso de Fukushima há 15 anos. Com capacidade instalada de 8,2 gigawatts, o complexo é fundamental para o plano do primeiro-ministro japonês de estabilizar os preços de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
Retorno estratégico: a reativação ocorre em um momento de pressão sobre os custos de energia e metas de descarbonização do país.
Segurança em xeque: a operadora Tepco (Tokyo Electric Power Co), a mesma de Fukushima, enfrentou anos de suspensões devido a falhas nos protocolos de segurança.
Resistência local: protestos de moradores e questionamentos de especialistas em sismologia marcam a volta da usina situada em uma zona de falhas geológicas.
Meta energética: o governo japonês planeja que a energia nuclear responda por até 22% da matriz elétrica nacional até 2030.
No entanto, o caminho para o religamento foi tortuoso. A autoridade de regulação nuclear do país havia imposto um bloqueio operacional à usina em 2021, após a descoberta de graves falhas na proteção de materiais nucleares. Somente após uma rigorosa revisão dos protocolos e a modernização dos sistemas de defesa contra tsunamis, o sinal verde foi concedido.
A decisão não é isenta de riscos políticos. Grupos ativistas e cientistas alertam que a usina está localizada em uma região propensa a abalos sísmicos de grande magnitude. “A segurança absoluta não existe em solo japonês”, afirmam opositores ao projeto. Para o governo, no entanto, a medida é apresentada como uma necessidade econômica “assertiva” para garantir a competitividade industrial do Japão em 2026.