O Brasil está prestes a dar um passo decisivo para consolidar seu protagonismo na agenda global da sustentabilidade. Entre os dias 17 e 20 de março de 2026, a cidade de Campinas (SP) sediará o Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, o primeiro evento do gênero no país. Realizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) em parceria com a Unicamp e a Francal, o encontro marca a transição do setor de um nicho de mercado para um pilar estratégico da economia verde brasileira.
Resumo
O Instituto Brasil Orgânico (IBO) promove o primeiro congresso técnico-científico focado exclusivamente no setor;
O evento acontece entre 17 e 20 de março de 2026, em Campinas (SP), com apoio da Unicamp e Embrapa;
A programação inclui a inauguração da Sala Ana Maria Primavesi, homenageando a pioneira da agroecologia;
O objetivo central é sistematizar a ciência produzida em universidades e institutos para ampliar a escala do mercado orgânico brasileiro.
Mais do que uma reunião acadêmica, o congresso surge com a missão de “dar escala” ao conhecimento. “A agricultura orgânica reúne técnica, responsabilidade ambiental e impacto social. Este evento nasce para conectar a ciência produzida nas universidades diretamente com quem está no campo”, afirma José Pedro Santiago, presidente do IBO.
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O legado de Ana Maria Primavesi
Um dos pontos altos da programação ocorre no dia 18 de março, com a inauguração da Sala Ana Maria Primavesi na Biblioteca de Obras Raras da Unicamp. O espaço é um tributo à engenheira agrônoma que revolucionou o entendimento sobre o “solo vivo”. Primavesi, reconhecida internacionalmente, foi a voz que integrou os conceitos de biodiversidade, manejo hídrico e saúde das plantas muito antes de o termo “ESG” se tornar tendência global.
A cerimônia contará com a presença de sua filha, Carin Primavesi, e oferecerá visitas guiadas ao acervo da pesquisadora. A integração entre ciência e cultura será reforçada por recitais de violão clássico, simbolizando a harmonia que a agroecologia propõe entre o homem e a natureza.
Programação: da teoria à vivência em campo
O congresso foi estruturado para atender desde o pesquisador da Embrapa até o pequeno e médio produtor.
17 de março: abertura com palestras magnas de Ademir Calegari e Virginia Damin.
18 de março: relatos de experiências de grandes cases nacionais, como a Fazenda Nutrilite, Fazenda Malunga e Raiar Orgânicos.
19 de março: participação internacional com o professor Ulrich Koepke, da ISOFAR (International Society of Organic Agriculture Research), discutindo tendências globais.
20 de março: o encerramento ocorre fora dos auditórios. Os participantes poderão realizar visitas técnicas a fazendas de café orgânico e laticínios na região de Campinas, focando em bem-estar animal e manejo sustentável.
O observatório do setor
Fundado em 2019, o Instituto Brasil Orgânico atua como um observatório técnico e político. Um dos maiores desafios do movimento no Brasil ainda é a escassez de dados estatísticos precisos. Eventos como este congresso ajudam a sistematizar informações que orientam políticas públicas e atraem investimentos para a economia circular e o comércio justo.
Com solo diversificado e clima favorável, o Brasil já possui o capital humano necessário para liderar a produção de alimentos sem agrotóxicos. O congresso na Unicamp sinaliza que, agora, o setor possui também a articulação científica necessária para crescer com segurança e qualidade.
Tabela de informações rápidas
| Item | Detalhes |
| Data | 17 a 20 de março de 2026 |
| Local | Centro de Convenções da Unicamp, Campinas (SP) |
| Realização | Instituto Brasil Orgânico (IBO) e Francal |
| Público-alvo | Produtores, pesquisadores, técnicos e estudantes |
| Inscrições | www.congressoibo.com.br |